Uma mulher acordou de noite e não viu o marido na cama. Um acontecimento até corriqueiro, na verdade. Pensou com os botões da camisola: “Onde diabos está aquele traste? Deve estar por aí com alguma cachorra.” Não seria a primeira nem a última vez que algo assim acontece, convenhamos.
A mulher resolveu levantar e ver se, por acaso, o infeliz estava na área. Quem sabe dormindo manguaça no sofá? Foi então que se deu a estarrecedora visão. A esposa de bem, mulher direita, flagrou o escroque fazendo sexo com uma cachorra sem a menor cerimônia no quintal de casa.
O mais estarrecedor é que não era uma qualquer. Era a cachorra de estimação da família. Chamada Xana. Xana!! Eu juro, não é mentira. Podem ver aqui.
Olha o concurso cultural que uma livraria do Leblon promoveu: “Qual é a palavra mais estranha da língua portuguesa?” Mais do que palimpsesto, oblongo, batráquio, escalafobético e, cáspite!, cáspite, o escolhido como mais esquisitão entre os vocábulos da última flor do lácio foi… XENÓFOBO. Não deixa de ser irônico.
O amigo pé de cana tem mais um motivo para celebrar a informática, essa coisa estranha que facilita a vida ao mesmo tempo em que desafia os surrados neurônios. Ela é quase uma máfia: te apresenta um problema para depois oferecer uma solução.
Quem de vocês, companheiros manguaças, não tomou umas e outras e, solitário no aconchego do lar, resolveu abrir o coração? Aquele email perdido no meio da madruga, enviado por um sujeito na mão do palhaço? Um “volta pra mim” ou até, por vezes, um inocente “o que eu queria era te lamber toda”. Uma vez apertado o send, camarada, um abraço.
Mas o Google vai ajudar vocês. Depois de fazer suas pesquisas de faculdade e indicar os caminhos para se chegar a um endereço, o Google criou uma voz da razão na sua caixa de email. Com o novo serviço, seu correio eletrônico tem agora um dispositivo que bloqueia o bebum de escrever o que quer que seja. Pensa bem: você vai se poupar de conferir no dia seguinte a caixa de itens enviados para ter certeza que realmente mandou aquilo e não foi só bad trip!
Agora dá pra encher a cara em paz e dormir, sem que entre um e outro você resolva ligar o computador para cologar os pingos nos is. Vai colocar é pinga nos is e olhe lá. Abençoado seja o Google, né não?
O problema é que o sistema funciona apresentando uma conta de matemática a ser resolvida pelo usuário cachaça. E aí chegamos a um bug no programa. Vai funcionar com engenheiros civis, professores de física e donos de armazéns de secos & molhados. Mas vai atrasar a vida de jornalistas em geral. Jornalista, como sabem todos, não domina os números. As mais simples operações de álgebra desde sempre se mostraram um oceano intransponível para essa categoria profissional.
O repórter desavisado que recorrer a esse artifício pode passar o resto dos dias sem conseguir mandar um emoticon sequer para qualquer uma de suas fontes. E agora? Como fica? Tenho em mãos um problema. Cadê a solução? Ah, essa informática.
“Não vi e não gostei”. Foi mais ou menos o que falou Marc Maurer, presidente da Federação Nacional de Cegos dos EUA. Ele faz questão de não ver Ensaio Sobre a Cegueira, filme do Fernando Meirelles. Vai abrir mão de conferir a Julianne Moore porque acha que o longa denigre a imagem dos portadores de deficiência visual. “Os cegos aparecem no filme como incompetentes, sujos, viciados e depravados. São incapazes de fazer as coisas mais simples, como se vestir, se lavar e encontrar o banheiro. A verdade é que as pessoas cegas normalmente fazem as mesmas coisas que as que podem ver”, disse Marc Maurer. Os produtores da Miramax evitam manifestações públicas, mas um deles foi flagrado desabafando: “essa gente não se enxerga mesmo”.
Festival de cinema é aquela coisa: um monte de filme passando e você sem tempo&dinheiro pro negócio. Mas, ha!, eu tenho um crachá malandro que me permite escorregar para dentro das sessões, desde que sobre uma poltroninha na sala. O problema é que o crachá é mais malandro que eu e, pra piorar, estava chovendo ontem à noite. Eram 21h10 e às 21h15 começava um filme com título de música do Ronaldo Bôscoli (ou do Hyldon): O céu, a terra e a chuva. De novo: o céu, a terra e a chuva. Isso não é um título, é quase um alerta, não é? O problema é que eu gosto de viver perigosamente e me enfurnei na sessão. O filme era chileno. Havia um casal gordinho ao lado, que começou a se agarrar com cinco minutos de projeção. Com cinco minutos de projeção, a câmera havia focalizado uma menina, um cachorro e uma árvore. Sentiu o drama? Com meia hora de filme começou a debandada. Até então, os espectadores tínhamos visto a protagonista, uma moça triste de cabelos negros, andar por uma estradinha, dar injeção na mãe (ou avó) inválida, errar o troco numa venda, andar pela estradinha de bicicleta, ralar o joelho, pegar uma barca (ela morava numa ilha), andar pela estradinha, olhar o mato, murmurar algumas frases, olhar pela janela, andar pela estradinha. Na quinta vez que ela passou pela estradinha um sujeito levantou e saiu correndo. De cinco em cinco minutos - ou seja, cada vez que ela aparecia subindo ou descendo a estradinha - mais alguém pegava o caminho de casa. Quando a dona da venda a acusa de roubo - ou de errar o troco fazer uma tremenda bobagem ao dar o troco - ela se emprega como doméstica na casa de um sujeito barbudo e solitário chamado… Toro. Com um nome e um roteiro desses, você logo imagina: beleza, lá vem sacanagem! Nada disso. Ela só passa a pegar outra estradinha pro trabalho. Tem uma menina no filme chamada Marta. Cara de meninão, parrudinha, deprimida. O tédio em pessoa. Numa cena, ela fica um minuto de relógio encarando uma árvore; então desaba na relva. Se ainda fosse a Scarlett Johansson… Desespero na audiência. “Ah, fala sério!”, protesta um espectador. E então começaram os risos. A cada vez que Ana (após uma hora de projeção você descobre que é este o nome da protagonista) subia a estradinha, risadinhas e burburinho percorriam a sala. Os pedidos de silêncio, veementes e cheios de si no início da sessão, perderam completamente a moral. Já tinha gente se despedindo de quem partia: uma moça ganhou um “Bye, bye” ao passar na frente da tela. Nessa hora, Toro estava com a cara toda arrebentada, na cama, tentando desesperadamente agarrar a Ana. Ela correu pra chuva (chove muito no filme) e lá ficou. Na cena seguinte, os dois jantavam tranqüilamente enquanto ela esperava a chuva passar.
É então que, pela única vez na vida, ou pelo menos no filme, Ana decide sair da rotina. Dorme na casa do Toro - mas na cama do cachorro. Ao voltar para casa, obviamente, encontra a mãe (avó?)morta. Ah! E a Marta entra no mato e ninguém nunca mais a vê. “Ela também não agüentou e foi embora”, supôs um espectador mais atento. Ana chora, anda pela estradinha, some do quadro e a câmera - lenta, muito lenta - continua ali, filmando a estrada, filmando, filmando…
Quando ‘O Céu, A Terra e A Chuva’ terminou, os aplausos foram sinceros. E muita gente aplaudiu justamente porque tinha terminado. Mas tá pensando o quê? O filme é premiado, valeu? Ganhou até troféu no festival de Rotterdam. E Rotterdam fica onde? Na Holanda!, onde é normal passar o tempo olhando pro nada.
Clicando no vídeo aí debaixo você vai entender porque o tempo é relativo.
Quarta-feira, 15h12. Toca o telefone na redação. A repórter atende. O cara começa a falar:
“Eu sou empresário de… hmmm… de uma… uma, bem… uma garota, e ela, bom, ela era a Mulher Maçã. Só que aí a gente teve um probleminha judicial (n.do e.: já existe uma Mulher Maçã) e ela teve que virar
uva. Agora é a Mulher Uva.”
Gabeira enrola corrida à Prefeitura e deixa tudo apertado para 5 de outbro.
Não deixa de ser irônico que justo quando nosso evangélico predileto aparece com força, o outrora renegado guerrilheiro seja visto como alguém ponderado e viável para uma boa gestão da cidade de São Sebastião, né mesmo, gente fina?
Gabeira seqüestrou embaixador norte-americano, usou sunga de crochê, fumou, tragou e ainda é pai de uma surfista gatinha. Por isso Raios Triplos! recomenda o voto nele.
A festa de 30 anos da grife Diesel vai acontecer em 17 cidades ao mesmo tempo. São Paulo está entre elas. Apesar disso, se a festa for metade do que sugere o sugestivo vídeo de divulgação da bagaça, ninguém é de ninguém e vale tudo, menos dedo no olho. É pura meta (opa) pornografia.
Se essa moda pega eu quero ver como fica. Pois vejam que a sobrinha da Gretchen, me disseram os jornais há algum tempo, é virgem. Ginelocogicamente falando, que fique claro. Ela deu pra artista, mas se manteve casta. Aí, eis que ela cede ao assédio de uma produtora de cinema pra fazer um filme de sacanagem.
“Putaria sim, mas com dignidade e respeito”, deve ter pensado Carol Miranda. E fez constar em contrato que vai fazer o filme, mas vai continuar com o selo lá. A fita chamar-se-á Fiz Pornô E Continuo Virgem. Isso quer dizer isso mesmo. Negócio de tocar o lado b. Como diz um amigo meu que é muito inteligente e curte estudar filosofia: sen-sa-cio-nal.
Há quem defenda que Carol deve se tornar um exemplo. Tanto de preservação da pureza quanto de disposição para, digamos, prática da somodia e das diversas possibilidades do amor carnal. Para os homens, um ideal de mulher. Para as mulheres, uma piranha sem vergonha. Não importa. Carol faz o que quer e ainda assina contrato para isso.
O que me preocupa é se isso virar moda. Mentira, isso não me preocupa, porque eu quero mesmo é que o mar pegue fogo pra pescar a sardinha frita. Mas os produtores deviam prestar mais atenção em chances de mercado por aí. Como esta aqui. Imagina isso?
- Como vereador da cidade do Rio de Janeiro, me senti indignado com a declaração do candidato à prefeitura Fernando Gabeira sobre a Câmara Municipal, na qual ele generalizou ao chamar todos os parlamentares de desclassificados. Como pode este cidadão, que sempre fez apologia ao uso da maconha e mais ainda, propôs a liberação da mesma, fazer este tipo de crítica. Se existe alguém que é desclassificado e não tem moral política e pessoal é o Sr. Gabeira que, provavelmente, deve ser um usuário inveterado desta erva.
Muito que bem. Agora só falta comentar a história da corrupção e o lance dos matadores.
E não se esqueça: uns corrompem, uns matam, mas quem financia esta merda é você, usuário inveterado.
Eu sou pela moral!
A ilustração ‘DarthCheney’ foi cortada e colada daqui.
Poderíamos captar recursos públicos pra fazer filmes ruins e festivais com as bandas de sempre. Mas preferimos um blog. Uma espécie de Emerson, Lake & Palmer do jornalismo regressivo. Raios Triplos! – um é pouco, dois é bom, mas três é de lascar. Mais...