Jamari França tem idade desconhecida. Pelo menos pela equipe de reportagem, que realmente acredita que Jamari França, o Jama, conta os anos de vida por um calendário diferente do nosso. Prova cabal da tchioria é que ele tem a mesma cara desde os longínquos anos 80 do século passado, quando se destacou como repórter e crítico musical que ajudou a dar espaço para bandas como Os Paralamas do Sucesso, Os Barão Vermelho, Os Blitz e Oscar Alho, um conjunto que não foi muito longe. Ou seja, boa parte dessa merda toda que está aí é culpa do Jama. Mas o Jamari é um cara sangue bom toda vida. Acredita no rock a despeito do Fresno. E ainda escreveu Vamo batê lata, a biografia dos Paralamas.
Pelas redações dessa nossa cidade maravilhosa, Jama é uma referência. Um cara muito querido no seu meio, podemos afirmar. Sempre gente fina, sempre paciente com focas, estagiários e outras bichas que habitam a fauna dos cadernos culturais. Jamari França é tão rock que recusou a chamada para ser paraninfo de uma turma de jornalismo que se formava com a cabeça cheia de sonhos e a vida toda pela frente. Com o sincero argumento de que “uma turma que me tem como paraninfo não vai a lugar algum”, declinou do convite. Mas sem ele como paraninfo também. Naufragamos todos e hoje eu estou aqui nesta repartição trabalhando sozinho enquanto os outros fazem não sei o que. Tudo bem. O que importa é o que interessa e devo dizer que foi um prazer ser recebido pelo Jama para mais um palpitante perfil do consumidor. Para os acadêmicos de jornalismo interessados em escrever sobre pop, rock e música maneira em geral, um toque carinhoso: esqueçam os malucos de São Paulo que acham que sabem de rock. Jamari França é o cara!

(imagem - Arnaldo Branco)
Beatles, Rolling Stones ou Engenheiros do Hawaii? - Rolling Stones.
Uma música do Chico Buarque - Construção.
Disco mais difícil de ser resenhado até hoje - School’s out de Alice Cooper - foi o primeiro, ainda como leitor da Rolling Stone brasileira, a antiga. Levei semanas.
Pior coisa dos anos 80? - Meus porres e quase overdoses.
Momento mais estranho por que passou no cumprimento do dever jornalístico - Plantão na casa do sequestrado garoto Carlinhos quando era foca na sucursal do Estadão.
Primeiro disco que comprou – Os Reis do Iê Iê Iê.
Ser rock é… - não encaretar nunca, manter a loucura.
Um samba enredo que marcou - Tás me estranhando, rapá? (o sorriso some do rosto, a entrevista se torna tensa).
Uma banda pior que o Detonautas - NX Zero e gosto do último disco dos Detonautas (a equipe de reportagem se entreolha incrédula!).
Quem foi mais chato, Cazuza ou Renato Russo? - Cazuza, de madrugada doido no Baixo Leblon enchia o saco da gente. O Renato recitava Shakespeare, um doido intelectual. Cazuza era da bagaceira.
Um show - Rolling Stones 1995.
Uma mulher gostosa sem nada na cabeça - Ivete Sangalo - chupa que é de uva. (os repórteres ameaçam contar que a música não é dela, mas desistem - não valeria a pena estragar o momento).
Maior gostosa do rock atual - Meg, ex-Luxúria (todos acenam a cabeça concordando que ela é gatinha).
Uma birita - Johnny Walker Red Label.
Oração que faz antes de dormir - Para Saint Germain.
Barba, cabelo ou bigode? - Barba e bigode, cabelo já era.
Vinil, MP3 ou radinho de pilha? - Radinho de pilha.
Uma loja de disco que deixou saudade - Um sebo de vinil que tinha no shopping da Siqueira Campos. Sempre que ia ver show de rock no Teresa Rachel dava uma garimpada e saía de lá com coisas legais a preços baratinhos.
Pior disco que ouviu este ano - Kelly Clarkson, All I ever wanted - tudo que eu não queria ouvir.
Pior disco que ouviu na vida – Tiazinha. Deve ter pior, mas não lembro agora. Esse foi um trauma.
Circo Voador: hoje ou antigamente? - Ambos, é a minha casa, sou muito ligado naquela lona voadora.
Sambista bom é sambista… - longe de mim!
Melhor padaria do Lins - Oficina do pão, só que fica no Méier.
Melhor disco do Ivan Lins - Não conheço nenhum, não posso opinar.
Pior diretor brasileiro de cinema - Zé do Caixão.
Melhor cena de sexo no cinema - Cavalo enraba mulher em Calígula (Nosssa, Jama, a gente não sabia desse seu lado romântico).
Um ditado - Pra diarréia não tem cu apertado.
Um livro de mais de 500 páginas - The Beatles, a biografia. Bob Spitz, 982 páginas
Guerra mais maneira do século 20 - A MPB contra a Jovem Guarda nos anos 60, com Elis Regina de generala.
Música que a Zélia Duncan não deveria ter feito - Nos lençóis desse reggae. Ela tocou anos e, como sabia que eu não gostava, sempre me oferecia quando eu tava no show. Funny girl…
Paralama do Sucesso mais pentelho - João Barone. Adoro o Bi e tinha um relacionamento muito legal com o Herbert que se foi com o acidente.