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Eusébio Galvão: a entrevista do ano

Conheci Eusébio Galvão, vocalista da Kelvin & A Banda Surda, quando eles estavam prestes a estrear nos palcos cariocas. De lá em diante, o grupo alcançou uma sólida base de fãs. Seus rocks vigorosos e suas letras sempre bem afiadas descrevem situações comuns a todo mundo: as de derrota e de birita. Eles também cantam os relacionamentos e as mulheres dos outros, mas preferem fazer o segundo quando suas próprias patroas não estão por perto.

O que me chamou a atenção neste novo bate papo foi a segurança e tranqüilidade com que Eusébio fala agora do seu conjunto. Quem quiser conferir o trabalho deles, a banda toca nesta terça, dia 21, na Drinkeria Maldita de Copacabana. O concerto faz parte do projeto Quanto vale o show?!, em que o público decide quanto quer desembolsar. Confira agora o bate-papo com o vocalista da grande Kelvin & A Banda Surda.

- Na última vez em que conversamos, vocês estavam prestes a tocar na Casa da Matriz. Era o começo da trajetória. O que mudou de lá para cá?

Bom, algumas coisas mudaram. O que não mudou, parece, é o tipo de pergunta boba que você faz. Você ainda é estagiário?

- Não, não. Agora sou editor do site de cultura do jornal. Não costumo mais escrever, mas fiz questão de fazer essa entrevista.

(Suspiro) Editor, é? (tom meio irônico) Como falei, algumas coisas mudaram. Parei de fumar, por exemplo…

- Para cantar melhor?

Você vai esperar eu terminar de responder? Não, não foi pra cantar melhor. Foi porque meu pai teve que fazer uma operação para botar uma prótese da aorta abdominal e ele me fez prometer, enquanto esperava os enfermeiros o levarem para a sala de operação, que eu pararia de fumar. Mudamos de formação algumas vezes também. Várias coisas aconteceram nestes 10 anos.

- Pois é, vocês têm tido uma rotação de integrantes, mas há um núcleo que permanece unido, né?

É. Dos originais, o Daniel, que era baixista, saiu e voltou umas duas vezes, até que resolveu se dedicar ao samba com o Empolga às 9. Aí, o Pedro, batera, trouxe o Juruna, amigo dele, pra tocar baixo. Mas depois o Juruna entrou pro Empolga também e saiu.

- Nossa, o samba boicotando o rock…

Você sempre interrompe seus entrevistados? Ah, você não entrevista mais, né? Mas não tem essa de rock, samba. É tudo música, saca? Rock, samba, reggae, eletro, house francês, metal, polca. É tudo música, brother. Menos emo, que é viadagem. E essa onda nova de folk, que é coisa de gente babaca.

- Ehehehe… viadagem… ihihihi. Mas você estava falando dos integrantes.

É, isso. Pede mais uma caipirinha aí pra mim. De limão, porra. Se fosse de outra fruta eu avisava. Cachaça, isso. Pouco açúcar. Aí, depois teve o Luiz Otávio, um estagiário que arrumamos para a guitarra. Foi quando o Silvio passou pro baixo. Mas ele se mudou pra Curitiba. Nisso, chamamos o Cabelada. Cabelada chegou no primeiro ensaio e apavorou com uns riffs de death metal. No ensaio seguinte, ele errou o dia e apareceu sozinho para tocar. No terceiro, a gente nem chamou mais.

- Por que? Algum motivo em especial?

Ele bebia demais e era muito grosseirão. Assustou o Pedro. Acho que foi medo das tatuagens.

- Então agora são só vocês quatro?

Não. Somos eu no vocal, Silvio no baixo, Calazans na guitarra, Pedro na bateria e Felipe no teclado.

- Ah, agora tem teclado.

Tem, tem. É um órgão pequeno, na verdade. Nosso Selton Mello.

- Mas e os rumos que a banda tomou com essa nova formação?

Seria injustiça dizer que ficamos melhores, porque com cada formação havia elementos distintos. Mas Felipe é músico formado, né? Ele sabe de fato tocar. Aliás, nem sei o que ele está fazendo ali. Podia estar com gente melhor. Porra, o cara já tocou até com o Agnaldo Timóteo!

- Ah, que isso. Você também canta bem.

Obrigado. Pode até ser. Mas ele canta mais. E é mais preto que eu. E é viado. Eu gosto de mulher.

- Sexo, drogas e roquenrol!

Mais roquenrol que o resto. Na banda todo mundo é casado. Sempre tem umas piranhas que dão mole, essa coisa de roqueiro tem muito glamour, né? Vejo até pelo Calazans, que parece o José Maier. Mas a gente é sossegado. Quanto às drogas, nosso fraco é birita. Acho que jamais tocamos sóbrio. Pelo menos, eu não cantei. E imagino que o Silvio também não. Imagino não, tenho certeza.

- E o que vocês estão planejando para este próximo show?

Vai ser o segundo com o Felipe e vamos tocar umas músicas novas, feitas depois que ele entrou para a banda. Chamam-se O retorno do cosmonauta, Um dia na vida e Apaga o cigarro. Tem outras de fases diferentes, como A vida me varreu pra baixo do tapete, Putz! Eu te quero tanto e Eu sempre me fodo. As mais antigas acabaram saindo da lista. Mas eu tinha vontade de fazer um show no fim do ano para comemorar os 10 anos e ter a participação de todos que passaram pela banda. Seria maneiro. Mas não poderia ter compromisso marcado pro dia seguinte, porque o porre seria de com força.

- E disco novo?

A gente está com umas músicas aí prontas para serem gravadas. Mas não temos prazo nem pressa.

- Algum recado para os fãs?

Não é porque a gente toca no Quanto vale o show?! que nego precisa ser mão de vaca. Vê se paga um qualquer, porra.

2 Comments

  1. Luiz Alberto wrote:

    Depois que eu o “Luiz Otávio” saiu da banda, as fãs mulheres do sexo feminino sumiram dos shows.

    Quinta-feira, Julho 16, 2009 at 8:17 pm | Permalink
  2. Luciano Alvernaz wrote:

    Conheci Eusébio quando criança, mas a fama e o sucesso que ele atingiu com a Kelvin nos afastou. Com muita honra falo que fiz parte da primeira banda de algum renome dele, “Os Abomináveis Robervaldos”. Banda punk undergroung movida a coxinhas de galinha, integrada por músicos vindos de duas bandas pouco conhecidas no cenário musical do Rio na década de 90: “Javalis Vaidosos” e “Aimeuímen”. Hoje morando em São Paulo, queria ver essa banda com seu som refinado e performance potente pela terra da garoa, pra plantar a semente rock and roll nessa cidade que está sendo dominada por emos. Seres estranhos que se vestem mais estranhamente ainda, pra parecer que são estranhos por estilo e não porque nasceram assim.
    Ainda ontem tive um presságio. Sonhei que ouvia Eusébio ao final de um show gritar pra multidão enlouquecida: “Thank you Massachusetts!!!!!”

    Segunda-feira, Julho 20, 2009 at 6:26 pm | Permalink

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