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Santa e bela Catarina

A situação não está nada boa. É com preocupação elevada que acompanhamos o desenrolar dos fatos em Santa Catarina. De cá, torcemos por todos os catarinenses e esperamos que a sua capacidade de superação mais uma vez espante a todos.

Os moradores de Blumenau, especialmente, têm uma tarefa árdua. Reconstruir a sua linda cidade em 10 meses, bem a tempo da Oktoberfest em 2009. Porque amigos, creiam: Blumenau sem Oktoberfest é como Vitória sem Vital, Parintins sem o Boi, Barretos sem o rodeio: perde totalmente a graça.

Lembro como se fora ontem minha visita a Blumenau numa Oktoberfest. Corria o ano da graça de 1996, eu era ainda jovem, tinha a cabeça cheia de sonhos e a vida inteira pela frente. Eu tinha um fígado de universitário, o que me fez pensar: é nessa que eu vou. Para universitários beberrões e solteiros, a Oktoberfest é como o caminho de Santiago de Compostela. É uma peregrinação que deve ser feita ao menos uma vez na vida.

Na minha memória está viva a imagem de um ônibus abarrotado de insanos cruzando os limites do centro da cidade, naquele frisson comum à juventude. Duas meninas que a tudo assistiam em terra firme se riram, ao que uma ameaçou. “Vou entrar nesse ônibus!” A sua colega imediatamente disse. “Não vai, não.” Eu confesso que admirei a segurança e o juízo da segunda. Mas a primeira não se deu por vencida e queria uma boa razão para desistir do plano. “Por que eu não vou?” A outra, altiva, explicou com um argumento irrefutável: “Porque quem vai entrar nesse ônibus sou eu.” Dito e feito. Depois de um tempo que podem ter sido 30 segundos ou 2 minutos, ela saiu do coletivo toda descabelada. Percebam, eu havia acabado de chegar à cidade quando presenciei isso e na hora não pude deixar de pensar. “Não volto nunca mais para casa!”

Foram dias pra lá de agradáveis. Muita birita, ninguém era de ninguém e ainda teve show dos Raimundos num barranco. Coisa inesquecível. Nesse meio tempo o Renato Russo veio a falecer e tudo virou mais um motivo para a gente entornar umas e outras. Na volta, ainda passei em Florianópolis, onde tive a oportunidade de ir a uma festa dos acadêmicos de medicina da Universidade Federal de Santa Catarina, onde presenciei mais alguns momentos que para sempre minhas retinas guardarão.

Por essas e outras é que estou irmanado nessa torcida por Santa Catarina. Já vi que há campanhas diversas que recolhem comida, roupas e remédios para os flagelados catarinenses. Que bom. Torço por eles. E me comprometo a doar também. Se nossa brava gente catarina conseguir se soerguer a tempo, doarei um barril de chope para a Oktoberfest. É o mínimo que eu posso fazer por um estado que tantas alegrias já me deu nessa vida.

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