“No dia 29 de junho de 1985, [Carlos] Imperial apresentou à executiva nacional do PDT sua carta de desligamento do partido. Transferiu-se para o PTN, Partido Tancredista Nacional. Em entrevista a um telejornal, explicou o nascimento e a doutrina do partido que criou:
- Como nasceu a idéia de criar o PTN?
- Durante a agonia de Tancredo, me surpreendi ajoelhando no meu quarto diante do aparelho de TV rezando. E pensei: assim como depois da morte de Cristo surgiu o cristianismo, após a morte de Tancredo surgiu o tancredismo.
- O senhor conheceu Tancredo?
- Não, eu não conheci Tancredo Neves. Eu nunca vi Tancredo Neves. Eu nunca toquei em Tancredo Neves. Mas também não conheci Jesus Cristo e isso não me impediu de ser cristão.”
Dez, nota dez! Ele fez da pilantragem uma arte. Ele era a pilantragem com ética, humor e inteligência. Fundamentalmente um homem de mídia, Carlos Imperial passou pelo rádio, pela TV, pela canção popular (onde orientou Roberto, Erasmo, Tim e ainda compôs canções como “Pode Vir Quente Que Eu Estou Fervendo”), pelo cinema (a pornochanchada deve muito a ele), pelo carnaval (sim, Imperial era o homem do bordão da apuração), pela política (como se vê aí) e até pelo mercado imobiliário. O homem que surge das páginas de Dez! Nota Dez!, biografia escrita pelo bravo Denilson Monteiro, é um assombro. O trecho acima é só aperitivo.
Imperial foi o anti-herói em tempos bem menos politicamente corretos – e nisso se fartou. Nada de sexo e drogas – seu fraco era mulher (e quanto mais tenra a carne, melhor). Vivia cercado de lebres, belas e jovens moças, de famílias pobres, que ele explorava em seus programas de TV e que viviam em sua casa, coçando suas costas ou, como se dizia, “vivendo romances fugazes” com o gordo. Arrogante, brigão, egocêntrico, inconseqüente, glutão e iconoclasta, Imperial só se deu conta do regime militar quando inadvertidamente o incomodou – e este reagiu. Mas tudo acabou bem, diante de lances inacreditáveis de sua persona maior que a vida.
Ler o livro de Denílson é mergulhar num personagem que, assim como Tim Maia, parece demasiado incongruente para ter existido na vida real. O tipo de sujeito que faz falta nos reality shows dos anos 00 – o homem mau que realmente o Brasil amava odiar. Pode ler, que esse é nota dez!

2 Comments
Espero sinceramente que o livro traga um dos grandes momentos de Imperial, que foi a participação no programa GENTE DO RIO, mediado por Gilsse Campos, com Ivan Leal e outros menos conhecidos.
Imperial demoliu a mesa, colocando todos no chinelo. Esculhambando todas as mulheres do mundo, dizendo que elas “são seres sem luz interior”, Imperial confundiu os outros participantes, que queriam levar tudo a sério. Em dado momento, eles mesmos resvalam no machismo e Imperial detona:
- Olha, vamos combinar direito: eu ataco as mulheres e vocês defendem. Assim deste jeito não dá! Vocês só estão concordando comigo!
Gilsse Campos entra em cena tentando colocar panos quentes, etc, e começa a falar:
- Gente, as questões que o Imperial está levantando são importantes. É preciso o debate. Eu sou mulher, trabalho fora de casa, cuido dos filhos em casa, faço comida, lavo roupa, passo, arrumo a casa, lavo banheiro…eu lavo PRI-VA-DA…
Ao que se ouve a voz do Imperial ao fundo, em off:
- QUE AS MULHERES QUE ESTÃO ASSISTINDO O PROGRAMA SIGAM O SEU EXEMPLO!!!!!
Eu achei bem legal esse texto do Silvio sobre o livro do Imperial.
Parabéns!
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[...] Imperial manteve até o fim de sua existência uma trajetória de decadência, de esbórnia, de esculhambação, de escárnio em relação a moralidade e ao bom gosto. Carlos Imperial virou vereador, virou [...]
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