Qual
Qualquer um dos amigos que um dia tenha trabalhado numa redação de jornal sabe: o trocadilho é o momento em que os jornalistas, esses párias que fazem o trabalho sujo das letras, aproximam-se da imortalidade. Há quem fique o dia inteiro burilando o seu, enquanto espera quieto por alguma distração das instâncias superiores do periódico. Vai que elas não leram direito, vai que elas aprovaram… e aí, pimba! Não tem mais volta. Se é em jornal popular que o jornalista emplaca seu trocadilho, ele fica só imaginando os passageiros do trem da Central gargalhando com a sua criação. Ele é capaz de fazer viagens inteiras só para ouvir, incógnito, os aplausos para o seu Dom Casmurro.
Hoje foi um desses dias de glória para o jornalista, esse incompreendido. É verdade: o trocadilho abaixo era um daqueles que estavam apenas esperando o momento adequado. Um trocadilho, literalmente, dado de presente – e que foi aberto na hora certa. Parabéns a quem quer no Meia Hora que tenha tido a idéia. Num mundo em que tanta gente sem talento posa de artista, um aplauso para o nosso artista das letras!

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