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As reflexões confucianas de Eusébio na China

Desculpe mas eu vou chorar
Amigos,
De uns tempos pra cá meus olhos vivem cheios d’água. Deve ser a poluição de Pequim, que também tem afetado os atletas brasileiros com quem cruzo por aqui. As lágrimas escorrem, mas não é de felicidade. É
mais irritação. Colírio, às vezes, resolve. Às vezes, não.
É que a vida na China é dura mesmo. Às vezes me pego num cantinho, soluçando de saudades da mamãe. Mas ninguém precisa saber disso. E até que eu tenho tentado me virar. Pensei em abrir um mercadinho chinês, mas nem rolou. Não era assim um negócio da China mesmo. Então fui montar minha barraquinha de aparelhos eletrônicos na Praça da Paz Celestial, mas veio um tanque e me atropelou. O chinês é um povo que
passa mesmo por cima de tudo. Essa gente se acha. Até parece que inventaram a pólvora.
Mas uma coisa tenho que admitir: nunca houve uma Olimpíada tão humana quanto esta. Não, nada dessas histórias de superação de dificuldades, exemplos de humildade e abnegação ou cascatas similares. O pior (ou seja, o normal) do ser humano tem aparecido com certa freqüência nos Jogos. Lembram do episódio do judoca português? Mandou um ippon no brasileiro Derly Gonçalves apenas por vingança. E o sueco que jogou a medalha de bronze no chão? “Essa eu não quero! Eu quero a dele!”, choramingou. Invejosa…
E aí encontrei o Diego Hypolito na rua. Choramos juntos pela perda da medalha na ginástica artística. É o que sempre me pergunto: quem nunca caiu sentado numa final olímpica de solo? Mas daí a pedir desculpas ao povo brasileiro “pela expectativa que todos tiveram em cima de mim”, ah, peralá! Que mania sem graça desses atletas de ficarem se desculpando. Tive que dar-lhe um esporro bem dado no Hypolito. Pô, tem tanta gente pra pedir desculpas na frente dele. Pra começar, o Galvão Bueno, o Pedro Bial e outros jornalistas remelentos, que acham que o bonito, agora, é ver os outros chorarem pela TV. Eu prefiro a fúria do sueco e a sinceridade do português ao Jornal Nacional. E não, não aceito as desculpas do Diego. Ele que conquiste sua própria medalha daqui a quatro anos. Sem choro nem vela.
Saudações filosóficas,
Eusébio

One Comment

  1. Ranzinza wrote:

    vc cruzou com Diego Hypólito?

    Quinta-feira, Agosto 28, 2008 at 6:22 pm | Permalink

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