Amigos,
Tô tentando encontrar uma saída da China, mas está difícil. Não se enxerga um palmo à frente do nariz por conta dos poluentes em suspensão. A agradável Pequim tem uma neblina digna de Teresópolis, sendo que ela é toda poluição. O preço do progresso. A gana humana de produzir mais e mais nos levará à ruína. O aquecimento global será o nosso fim.
Na China, como vocês sabem, se fala chinês. E o chinês, como vocês sabem, não é uma língua que eu domine. De forma que, para pegar um táxi, tenho que pedir a alguma chinesinha que escreva para mim o endereço em ideogramas. Aí, basta apontar o escrito por piloto e torcer pra ele entender. Tem tudo para dar errado. E outro dia deu.
O motora se perdeu e começou a falar comigo. Curioso como algumas coisas são universais. Como o tom da fala que indica a cagalhofança. O mandarim do cara eu não entendi, mas na hora foi possível perceber que tinha dado merda. Depois de rodar pela aprazível Pequim e emitir mais um tanto de gás carbônico na atmosfera terrestre, lembrei-me que eu tinha comigo um talismã que a Humanidade conhece desde priscas eras: um troço chamado mapa. Foi como mágica. Apontei pro nome da parada no mapa (é uma folha grande com uns desenhos) e o china subitamente foi iluminado com a ciência da direção. Custei, mas cheguei. Demorei também porque na China os chinas dirigem a 40km/h. O trânsito não tem regra, é como se eles ainda pedalassem suas bicicicletas (o que ainda fazem em larga escala - aliás, tudo aqui é em larga escala). Depois percebi que é melhor mesmo ir no sapatinho. Porque o caos no trânsito é tão grande que se eles andassem rápido, ia ser batida pra tudo que é lado.
Outra coisa que achei engraçada. Pensei que fosse só no Brasil, mas aqui também tem carnaval fora de época. Hoje mesmo vai ter um desfile. Chamaram o Paulo Barros para dirigir. Sei que é ele porque vi uns ensaios de rua que acontecem na Praça da Apoteose Celestial. Não pesquei o enredo, mas as alegorias têm muitos componentes em movimento para dar um efeito bonito. O Paulo Barros deve ter curtido muito trabalhar na Estação Primeira dos Acadêmicos de Beijing. Ele, que preza a figura da pessoa humana como base de seus desfiles, tem muito material aqui com que trabalhar.
Porque outra coisa que eu percebi aqui é que tem muito chinês. Muito mesmo. Todo dia de manhã sai uma fornada nova. Já vi grupos enormes andando juntinhos, vestidos iguais, sempre por volta das 9h30. Deve ser a leva do dia. Não sei onde isso vai parar.
Achei que aqui seria fresquinho, mas é um calor dos infernos, com uma umidade úmida toda vida. Pra ficar seco, tem que mergulhar no chafariz. Parado você derrete. Pelo menos a moeda deles é fraca. Então, com os parcos reais que recebi de idenização ao sair de Raios Triplos! é possível comer uns gafanhotos e espetinhos de escorpião. Levando em conta que a Tsingtao custa o equivalente R$ 1,25 a lata levemente aquecida em alguns locais, dá pra tomar um negócio de vez em quando.
Ainda não desisti de conseguir ir embora, mas acho que demora ainda. Um dia vai dar certo. Enquanto isso, vou ver se me misturo aos locais e passo despercebido. Eles têm um bilhão de malucos de lá pra cá, não hão de notar um filho de Ramos perdido por aí.
Quando eu conseguir, dou mais notícias.
Beijo no coração de vocês,

Post a Comment