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Super-herói em debate

Rolou um problema aqui na repartição. Com a reforma ortográfica que nos faz mais burros que já somos, não foi possível saber ao certo como se escreve super-herói doravante. Continua assim? Virou supererói? Bom, havia a opção de mudar o título, mas a preguiça, como é comum em nós, jornalistas, falou mais alto.

Isso não vem mais ao caso. No sentido de incrementar essas tão inossas páginas virtuais, Raios Triplos! aderiu à moda de copiar os outros. De agora em diante, nós também teremos aquelas coisas de debater filme. Com opiniões diferentes de pessoas diferentes sobre o mesmo filme, mesmo que todas elas juntas continuem não servindo pra porra nenhuma - ou sequer façam sentido.

Ao que interessa. Também vi Batman, o Cavaleiro das Trevas, com o falecido Heath Ledger, que, como todos já sabem, cantou pra subir quando soube que o Cordão do Bola Preta tinha sido despejado.

Gotham City, não sei que ano. O sistema está podre. O crime campeia e corrompe aqueles que deveriam proteger a população: a polícia. O povo, prostrado, já não crê que haja salvação. As contundentes provas de que a humanidade não presta falam mais alto. Nesse cenário, só mesmo o Batman consegue dar um jeito na bandidagem. Só o Batman? Não.

É, gente fina. O filme transmite uma mensagem bonita, de que há gente de bem nesse mundo disposta a lutar por um mundo melhor, como ensinou o Medina. E sem Rock in Rio. Tem um promotor de justiça, o tal do Harvey Dent. Se o Batman é a milícia, o Harvey Dent é o Protógenes, o delegado que mandou prender o Daniel Dantas e, em vez de produzir provas, fez um relatório que era quase uma pensata. O bem pelo bem não funciona. A justiça depende de regras para acontecer. É assim em Gotham City, é assim aqui também.

Mas isso tudo quem tem que escrever é a Marina Magessi. O filme, para mim, tem uma questão muito maior. Que perturbou meus cansados neurônios na seqüência da película em que Bruce Wayne (que era o anfitrião de um festão pro tal do Harvey Dent) chega ao rega-bofe atrasado, de helicóptero, cercado por três modelos-manequins-e-atrizes.

Pensei com meus botões: o que eu queria mesmo era ser convidado pra uma festa do Bruce Wayne e do Tony Stark! Não me incomodaria que no meio da festa os anfitriões saíssem pela janela pra fazer justiça com as próprias mãos. Sobraria mais mulher e comida. Fora que o uísque dessas paradas deve ser, no mínimo, 18 anos.

Hoje corre a mega-sena acumulada de 50 milhas. Se eu ganho uma porra dessas não viro super-herói nem que Jesus Cristo desça em forma de homem na Terra. Pego meus trocados, boto dez no viado e vazo. Nego nem ia saber na repartição.

Ajudar o próximo? Mundo melhor? Só se fosse pra comprar o Kaká e doá-lo pro meu time. Mas só vale o Kaká, que é evangélico e não ia querer beber comigo.

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