Skip to content

Polícia e ladrão: é brincadeira?

Diante do bangue-bangue generalizado, que não é mais exclusividade das áreas mais pobres, ou menos nobres, ou seja lá como quiserem chamar os lugares onde não passa ônibus à noite, o secretário de (in)segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, mandou essa ontem, dizem os jornais impressos desta sexta-feira, contra “quem ‘veste a insígnia oportuna de especialista’ para criticar o plano (sic) de combate à criminalidade”: “Ninguém autorizou, autoriza ou autorizará ninguém a matar. Quem provocou esses episódios foram bandidos, acostumados a atirar na hora e no lugar que quiserem.”

Ninguém autorizou? Não é bem assim, não é? Um Google rápido e cai o argumento do secretário. Olha só:

“Segundo o coronel Marcus Jardim, comandante do 16º BPM (Olaria), as polícias já estão se preparando para enfrentar a nova geografia de guerra:
- Dará um pouco mais de trabalho porque precisaremos de mais homens, mas isso não vai impedir a retomada dessas comunidades. Este será um ano marcado por três pês: Pan, Pac e pau - ironizou.” (07/11/2007)

Em fevereiro, Jardim se tornou o chefe do 1º comando de Área da Capital, ou seja, o cara responsável pelo policiamento na cidade. Foi nomeado por quem? Gilson Pitta, o comandante-geral da PM, o 01, o homem que ontem segurava o caixão do PM fuzilado na Lagoa e ordenou aos subordinados silêncio sobre o assunto. “Ninguém aqui fala com a imprensa”, ordenou. Por que não?

Em abril, porém, Pitta não mandou Jardim calar a boca. Então, ele pôde dizer o que pensa.

“Em operação classificada por coronel da Polícia Militar como “inseticida social”, nove supostos traficantes foram mortos ontem durante incursão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) na Vila Cruzeiro, na Penha (zona norte). Quatorze homens foram presos e seis ficaram feridos no confronto.
A operação com 180 homens foi comandada pelo Bope, que manteve parte do efetivo na favela. “Amanhã [hoje] o pau na vagabundagem continua“, disse o comandante de Policiamento da Capital, coronel Marcus Jardim. “A PM é o melhor inseticida contra a dengue. Conhece aquele produto, [inseticida] SBP? Tem o SBPM. Não fica mosquito nenhum em pé. A PM é o melhor inseticida social“, disse, rindo.(…) (16/04/2008)

Marcus Jardim age sob ordens, obviamente. Do governador Sérgio Cabral, que não quer mexer uma palha de sua política de combate ao crime. ”Não tem recuo na política de combate à criminalidade. Eles (os bandidos) são ousados. Mas os criminosos estão percebendo que mudou o jogo. Hoje é combate mesmo. Agora, tratar nossos policiais como vilões, de modo genérico, é algo absolutamente ruim para a sociedade”, disse o governador ontem. Está nos jornais de hoje.

Para o Cabralzinho, que quando não está isolado em seu palácio flana seguro pela Europa (”captando investimentos para o Estado”), é fácil mandar a polícia ir pro pau - e soltar nas ruas gente como o Marcus Jardim, que já afirmou que baile funk em favela é “reunião de
vagabundo” (como ele classificaria a Baronetti?). Para essa gente, bala perdida é apenas um efeito colateral da “guerra”. Enquanto isso, já morreram 60 PMs este ano. Continuam morrendo, nas mãos dos bandidos ou da polícia, um sem-número de inocentes. Eles não estão nem aí. Eles são lamentáveis.

Marcus Jardim, sempre alerta

One Comment

  1. Eles não estão nem aí. E eu quero que eles se fodam. Na boa, cara… Eu tenho aquela onda de não ficar cultivando ódio, ainda mais depois de problemas com cálculos renais. Mas quero que estes caras se fodam.

    Sexta-feira, Julho 18, 2008 at 8:44 pm | Permalink

Post a Comment

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *
*
*