
Se tem uma coisa admirável é a persistência com que os Paralamas (ex-do Sucesso) e os Titãs (ex-do Iê Iê) se mantêm em cena. Diferentes tragédias e o natural desgaste do tempo não impediram que as duas bandas continuassem a fazer shows e lançar discos, ano após ano. Hoje, bem distantes da rivalidade daqueles tempos em que ditavam para onde iria o rock brasileiro (lembrem de 1986, quando eles lançaram, respectivamente, Selvagem e Cabeça Dinossauro), essas bestas feras da música brasileira resolveram unir rugidos em um só projeto: o CD/DVD Paralamas e Titãs Juntos e Ao Vivo. E é aí que o bicho pega.
Dessa vez, não há mensagem. Quer dizer, nenhuma mensagem além do “vamos sobrevivendo”. Conceitualmente, a capa não diz nada. E o conteúdo é apenas isso: juntos e ao vivo (e vivos). Os cinco remanescentes dos Titãs, os três Paralamas, uns cantando músicas dos outros e recebendo convidados nada surpreendentes: o ex-titã Arnaldo Antunes, o sobrevivente do Sepultura Andreas Kisser e o discípulo Samuel Rosa, do Skank, aproveitando a oportunidade de louvar os seus heróis. E é isso. Tem número com todos sentados no banquinho, mas não chega a ser o acústico do Roupa Nova. Tampouco chega a ser um show dos Fevers. Ou dos Originals. Mas também não fica tão longe.
Ouviremos com bastante gosto o novo de inéditas dos Paralamas. Ou qualquer outra coisa nova dos Titãs, por mais decepcionantes que tenham sido seus últimos discos. Eles vão sobreviver. Enquanto isso, não custa muito dar uma conferida no que o náufrago do Rock Brasil 80 Léo Jaime tem a dizer em Interlúdio, o tal do seu primeiro disco com músicas novas em 18 anos. A faixa-título, de Léo e Alvin L., faz lembrar porque a gente gostava tanto daquele cara do “Rock Estrela”.
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