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Vital passou a se sentir total com seu sonho de metal

Foi lá pelo meio dos anos 80: o heavy metal era algo que realmente valia a mesada de um adolescente. Tempo de discos como Powerslave, do Iron Maiden, e Ride The Lightning, do Metallica, que não se esgotavam na música. Ainda havia as capas (e, no caso do Iron, os clipes), conduzindo as inocentes almas por uma viagem sem volta pelo mundo da fantasia, do poder sonoro e da malcriação. Com o tempo, o metal explodiu em incontáveis variações, foi procurar seu lugar nos subterrâneos e os seus exageros viraram piada da galera. E aí dá a maior saudade da época em que tudo era mais simples e puro.

Mas não tem nada não. A indústria do revival está aí para atender a todos. E em pleno 2008 saem dois discos como esse Killing Season, do Death Angel, e Light From Above, do Black Tide. O primeiro é uma história curiosa: banda da Bay Area de San Franscisco, teve a primeira demo em 1986 produzida por Kirk Hammett, do Mettalica, e lançou seu primeiro disco quando o baterista, Andy Galeon, tinha apenas 14 anos de idade. Tudo ia bem para esses descendentes de filipinos quando, em 1990, um acidente de ônibus quase matou o baterista e deu fim à banda. O Death Angel voltou em 2001 fazendo – e bem – o mesmo thrash metal de antes. Killing Season é o disco perfeito para quem não tem saco de esperar o novo do Metallica.

Light From Above é outro caso: foi feito por um bando de moleques de Miami (o guitarrista Gabriel Garcia tem 14 anos), inspirados por um tipo de som que saiu de moda antes de eles nascerem. É Judas Priest, é Iron Maiden, é o Metallica do começo, tudo muito bem tocado e cantado. Dá gosto de ouvir o primeiro single dos caras, “Shockwave” – o começo lembra até a música de abertura do Armação Ilimitada e mais adiante ainda tem aqueles solos de guitarra que ninguém tinha mais coragem de fazer sob o risco de ser chamado de punheteiro.

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Mas vamos deixar a crítica musical para quem de fato sabe escrever. Nos bons tempos, esse era o tipo de coisa que saía na revista Rock Brigade: “Joey de Maio lança maldições em cada nota executada, despedaça seu baixo em agonia mutiladora. Ross the Boss arrepia os recônditos mais profanos do corpo. Eric Adams vocifera tão afiado que choca-se em contato com a nossa era. A bateria parece ser tocada pelo próprio Lúcifer em extase, Scott Columbus detona a estrutura espaço-tempo com suas porradas sônicas…” Se o pessoal do Manowar leu essa resenha do disco Hail to England, ninguém sabe. Mas esse e outros clássicos da crítica do metal estão na comunidade do orkut Pérolas do Metal, descoberta pelo blog Aforismos de uma vida babaca – é, aqui a gente copia mas dá crédito. E long live the metal!

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