Se Paulo Ricardo não existisse, alguém teria que inventar um. Imagina só o sujeito que, como eu, estava agora mesmo no sacrossanto refúgio do lar, assistindo ao programa da Hebe com a patroa. Uma pobre alma que, sem aviso, se depara com o homem do olhar 43, de óculos escuros e roupa de roqueiro, abraçado ao Padre Marcelo Rossi, pulando e cantando o refrão “Deus é dez”. Parece uma dupla bad trip: para o espectador (os carolas fãs do padre devem ter se horrorizado tanto quanto as repemetes de outrora) e também para o Paulo, esse estranhíssimo e lesado sobrevivente do pop nacional. Mas uma verdade seja dita: não é de hoje que o cara vem se esforçando bastante para ser uma metamorfose ambulante - e quase sempre incoerente. Do pós-punk universitário dos porões paulistanos para o rock-arena, o megaestrelato e o pó; da MPB e o rock psicotópico para o RPM novamente e o pop romântico. Daí para mais uma temporada de rock espetáculo com a banda, disco de versões à la Emmerson Nogueira e uma abortada campanha para deputado federal… E agora Deus é dez com Padre Marcelo. Se tem algum sentido nisso tudo (que não a ânsia de Paulo em se manter sob os refletores), alguém por favor me explique. Estou com medo.
I`m wandering round and round, nowhere to go
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[...] o norueguês se recupera e promete retomar aos poucos as atividades. Mas desde que voltou e viu o Paulo Ricardo no Faustão, uma pergunta à la Pixies martela a sua [...]
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