“Sentimos um leve constrangimento quando gostamos de um compositor famoso”, reconhece Oceane, a falsa heroína de Viagem ao fundo da sala, o livro que eu terminei de ler no sábado. Muito engraçado, pontuado por pequenas histórias absurdas e pelas observações cortantes da designer freelancer Oceane, ex-dançarina de uma boate de sexo explícito em Barcelona que se recusa a sair de casa, mesmo quando começa a receber cartas do ex-namorado, morto 10 anos antes. Para isso ela conta com a ajuda de Audley, cobrador de dívidas de métodos extravagantes e que sempre termina com um revólver apontado para si, mesmo quando está em casa sem fazer nada. Mas isso é o livro, que foi escrito pelo inglês Tibor Fischer e lançado no Brasil pela editora Rocco, caso alguém se interesse. O caso aqui é o Weezer.
Como ia dizendo a Oceane, “Sentimos um leve constrangimento quando gostamos de um compositor famoso. Todo mundo gosta, claro. Mas isso parece tão óbvio, tão preguiçoso, tão entediante. sempre surge uma tensão por causa desse gosto. Ninguém quer ser mais um na multidão e mugir no rebanho. É um desejo que contrasta com a vontade de anunciar uma descoberta nova; queremos que os outros compartilhem nosso prazer, mas só até certo ponto. É impossível imaginar que alguém, até quem curte música horrível e obscura, goste de algo e não queira compartilhar isso com outras pessoas. Podemos não querer compartilhar nossa comida e nosso dinheiro, mas sempre queremos compartilhar nossa opinião.”
Então, minha gente, por mais óbvio, entediante e preguiçoso que seja, é hora de comemorar o lançamento de mais um disco do Weezer. Principalmente depois de assistir a ‘Porks and beans‘, o vídeo inaugural da fornada.
[wp_youtube]muP9eH2p2PI[/wp_youtube]
E quero compartilhar aqui com os amigos minha opinião. O vídeo é uma espécie de ‘Most Viewed’ da Internet, com citações e participações especiais de astros virtuais: o cara que conta a história da dança, as mãos coreografadas do Daft Punk, o ‘leave britney alone’, o dublador do South Park, mentos com Coca light. A letra é deboche com esta nossa era dos produtores: se você não sabe a diferença entre Madonna e Nelly Furtado, esta é a sua canção. Os versos são de guerrilha nerd típica, entricheirados numa cova de ironia: ”Timbaland knows the way/ To reach the top of the charts/ Maybe if I work with him/ I can perfect the art”. ‘Porks and beans’ homenageia os Originais do Youtube, e declara guerra contra o Império da mesmice. Por isso que eu gosto do Weezer. É uma banda contra tudo isso que está aí. E eu nem ligo que mais gente goste dela. Até acho maneiro.
2 Comments
Por coincidência, acabo de ler um post criticando o cd no indienation. Curioso e fã do weezer, baixei e ouvi — não queria acreditar que fosse ruim. Bom, ainda vou ouvir outras vezes pra ter uma opinião mais sólida, mas minha primeira impressão foi péssima
Tirando Porks and Beans, todo o resto é fraco demais e inspiraria um novo post com começo semelhante a esse: “Sentimos um leve constrangimento quando gostamos de um compositor famoso” … “e ele consegue frustrar tudo aquilo que esperávamos dele”. (Filosofia barata: estranho vai ser ver surgir uma nova onda de novos-fãs do Weezer em função do clipe de P&B. Nada contra novos fãs, mas vai ser ironia vê-los chegar no que me parece ser o pior momento da banda).
Eu não ouvi o disco ainda, mas gostei muito de Porks and Beans. Talvez esse seja o disco que os fãs vão ter vergonha por um tempo, mas com o tempo vão redimir - aconteceu com o Pinkerton, lembra? Abração
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