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Around the world

Viaa

Viajar é bom – coisa que recomendo a todo mundo com muito ou pouco dinheiro. Alguns dias atrás, por exemplo, fui ao Chile. A idéia era rever Santiago, as imponentes cordilheiras que a cercam a cidade, e enfim pôr o pé no Oceano Pacífico no popular balneário de Viña del Mar. Logo na chegada à capital chilena, a coisa fervia – estudantes meio punks, meio emos, tocavam o horror para lembrar o dia da morte, em 1985, de dois jovens irmãos, militantes de esquerda, vítimas da polícia do nada saudoso ditador Augusto Pinochet. Nas ruas, policiais a cavalo, caveirões (é o Chile também tem disso) e um cheiro de gás lacrimogêneo davam as boas vindas.

    

 caveron1.jpg                                                                                                                                                                                   El caverón     

A molecada no Chile gosta muito de rock – nem na Inglaterra se vê tanta gente com camisas do Iron Maiden e até de bandas mais cascudas do metal, como o Gorgoroth (cruzes!). Já os pedintes no sinal se apropriaram de técnicas muito mais avançadas do que as dos cariocas. Pirâmides humanas e malabarismos fantásticos eram coisa corriqueira. Em Viña, poucos minutos antes de gelar os pés no Pacífico, registramos o flagrante do lavador de vidros de automóveis – vê se algum dos nossos vai encarar um ônibus, como esse aí.

     lavador01.jpg

 Mas se o punk e o heavy metal faz a festa dos estudantes, entre a classe proletária, as latinidades eletrônicas continuam comendo soltas. Numa jukebox de um restaurante em Santiago, caiu-me no colo um chiclete sonoro daqueles que não soltam nem com a ajuda de palito de sorvete: “La Botella”, hit de 2005 dos irmãos panamenhos Match & Daddy. É o velho tema d’”O Ébrio” reciclado para o reggaeton. O cara lava a desilusão amorosa (“la chica que quería para mí / Es traicionera y me quemaba hasta morir”) em um rio de cana (“Pásame la botella / Voy a beber en nombre de ella”). O refrão e a percussão em garrafa são impagáveis – mas não menos que o videoclipe (veja até o fim, vale a pena).

A única coisa ruim da viagem foi ter perdido o show da menina prodígio do folk nacional. Mallu Magalhães tocou sexta-feira lá no Cinematèque para um punhado de executivos de gravadoras. Sorte que um enviado especial do nosso valoroso jotinha estava lá para relatar. Que a combalida indústria estaja atrás da musa indie tem uma explicação: o filme Juno. Que já é um fenômeno adolescente ao menos melhor que High School Music, semeando uma geração de meninas com gostos muito bons para música e péssimos para roupas. Mas o melhor de tudo foi a frase do bastião indie Rodrigo Lariú, produtor do festival que trouxe Mallu para o Rio – e para os braços da indústria:

“Quando ela (a Mallu) nasceu, estava lançando os primeiros discos de meu selo (midsummer madness). As bandas cantavam em inglês e as gravadoras nem queriam saber. A Mallu está aqui hoje. Ela canta em inglês. Viva a Mallu!”     juno.bmp 

É isso aí. For those about to folk, we salute you!

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