Primeiro foi o ‘Yellow Submarine’ que a Flávia deu de presente. Ele abriu o livro de capa dura, ilustrado em tecnicolor, e vibrou: “Beatles!”. Começou a ler, juntando as sílabas: “E-ra. U-ma-vez-ou-du. As. Tal-vez-um. Pa-ra-í-so-qua-se-terr-terrr-terres-tre. Cha-ma-doo. Pepperland (nesta ele pediu ajuda aos universitários). Quase chorei. Meu filho tem dentes e sabe ler. Definitivamente, escapou de ser rubro-negro.
Então ele ganhou, da maneira mais inesperada, uma guitarra. E um amp pequenininho, Laney, com um troço chamado ‘crunch’ que dá uma distoção suja, suja. Quando Bob Dylan era novo, ganhou uma guitarra de Johnny Cash. Soube, então, que esta era uma grande honra.
A Mônica há mais de um mês tentando convencê-lo a entrar no futebol da escola. Foi eu pendurar a guitarrinha em seu pescoço pra ele perguntar: “E agora, ainda preciso fazer futebol?” Quase chorei. O autor de ‘Cachorro Grande’ e ‘Pterodáctilo Voador’ entrou em ação. Fez um barulhão, o crunch no 10. O primeiro guitar hero da turma.
Mas não pensem que alimento qualquer pretensão de transformá-lo em popstar ou celebridade. Mesmo porque ele já tem tudo planejado. “Dentista é legal (vai entender), mas eu vou ser astronauta mesmo.”
De todo modo, é dele, e de mais nenhuma criança de 7 anos, a frase lapidar sobre choque de gerações - edição 2008.
Mônica: “Como foi o seu dia na escola?”
Ele: “O meu foi bom. O da professora, não.”
2 Comments
Ué, como assim, escapou de ser rubro-negro?
Não se esqueça de que todo mundo nasce Botafogo: chorando.
abs
Na verdade, todos nascem Flamengo: desdentados e analfabetos. Muitos evoluem; muitos outros não.
Post a Comment