O cara era fã do Guinga. Fissurado naquelas harmonias riquíssimas (mais acordes numa só música que em toda a obra do Tim Maia). E a gente costumava dizer a ele: “MPB é coisa de adolescente. Quando você crescer também vai ouvir hardcore”. Isso foi antes do emo demolir, com meia dúzia de letras xaropentas, três décadas de pose punk enfezadinha.
“Calça surrada, cabelo curto, punk rock melódico”, diz um adesivo grudado no banheiro do Superfuzz. Isso é que é estilo de vida: “vou dar um tapa no cabelo, fazer um rasgo no joelho da calça e imitar a banda do Rafinha“.
Ou isso ou o sujeito vai relaxar ouvindo ‘Inflikted‘.

Uma vez eu convidei uma moça para ir comigo a um show. Sepultura e Ratos de Porão numa mesma noite quente no Imperator. Ela foi e hoje é a mãe da Mariana e do Antônio. Deve ser por isso que o ‘Arise’ sempre me soou tão romântico…
Um dia contei, lá no Reverb, da vez em que apresentei o Sepultura a um moleque dentro de um ônibus. A história continua semana que vem, quando Max e Iggor Cavalera, após uma década de silêncio, voltam a fazer esporro oficialmente, com o lançamento do primeiro CD do Cavalera Conspiracy. E é do ‘Arise’ que você vai se lembrar quando ouvir os caras sentando o cacete no velho estilo Cavalera.
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Lá de Phoenix, Max manda dizer que, se alguém perguntar, este álbum foi composto de “raiva e agressividade”. E contou o caso do primeiro show do CC, ano passado, logo antes do Soulfly entrar em campo num festival nos EUAin.
“Foi um arraso total. Subimos para fazer quatro músicas e detonamos. A galera adorou. O que tinha de moleque ensanguentado na frente do palco… Véio, vou te dizer: depois daquilo, ficou difícil pro Soulfly.”
Mas quando tiver show aqui vou ver bem de longe. Tenho filhos pra criar.
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