Acho que uma das primeiras angústias de quem começa a ouvir rádio e se fascina por música é: será que sempre vão surgir canções tão boas quanto essas de que eu gosto hoje? E aí, sem que o cara se dê muita conta, o tempo passa. Aos poucos, ele vai descobrindo que dá para achar essas canções fora do rádio, começa a comprar discos, a correr atrás de informações, a catar mais discos… e aí uma obsessão está formada – para toda a vida. De vez em quando, o velho incorre no saudosismo e diz que 1993 é que foi o ano das grandes músicas – aquelas que estão irremediavelmente coladas com suas memórias alcoólico-amorosas. Um saco ter que ouvir o papo do velho!
Mas de repente – não mais que de repente – a nova canção pula no seu colo. Foi a faixa de abertura do disco Oracular Spetacular, da dupla americana MGMT. Tantos outras músicas passaram batidas até que “Time to Pretend” viesse capturar uma atenção cansada. Como todas as canções realmente grandes, ela é muito simples. E é épica – menos no sentido religioso do U2 e mais no emotivo de um “Atmosphere”, do Joy Division (um teclado distorcido e uma batida meio tribal a conduzem). Os elementos de estranheza são aqueles levemente psicodélicos, só para dar um sabor – exatamente como nas boas músicas do Flaming Lips (como nada é por acaso, o disco do MGMT é produzido pelo arquiteto sonoro dos Lips, Dave Friedmann).
A letra de “Time to Pretend” também é uma beleza - a visão cínica do “viva rápido, morra cedo”, com versos como “sim, vou sentir falta do tédio e da liberdade e do tempo gasto sozinho” e um dos melhores “yeah, yeah, yeah!” já registrados em disco. O clipe da música merece uma olhadinha – um prêmio para quem identificar a citação ao filme Holy Mountain, do inclassificável Alejandro Jodorowsky. Bom, de qualquer forma, ao diabo com as referências! Vai lá ouvir “Time to Pretend”, porque a vida é muito curta e não dá para perder essas pequenas grandes coisas que o pop nos proporciona.

One Comment
é meu chapa, som da hora. Mas acredito que ainda se fará justiça á maior banda da década de 90 : Os Caetanos (ou Vá de Retro).
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