Verdine, Ralph e Philip: os sobreviventes
Tanto neguinho sonhando com um show do Led Zeppelin no Brasil e uma das maiores bandas da história da música pop toca aqui no Vivo Rio… É isso mesmo. Para a alegria da comunidade black carioca e de alguns disco dancers de outrora, rolaram grandes momentos ontem no Aterro com o Earth, Wind & Fire. Da mesma forma que o Led, a banda americana não conta mais com um de seus integrantes da tal formação clássica, o fundador Maurice White. Mas três outros estavam lá, para garantir o baile funk: o percussionista/vocalista Ralph Johnson, o baixista Verdine White (todo montado, parecendo um tio de Prince e avô do André 3000 do Outkast) e o vocalista Philip Bailey. E não foi nem preciso sacar da condescendência diante dos ídolos, caras que empilharam hits e venderam discos a rodo nos anos 70 e 80 - porque eles tocaram o fino.
Verdine pulou e grooveou firme. Os caras da banda de apoio (em especial o tecladista e a seção de sopros) seguraram a onda legal em músicas como “Boogie Wonderland”, “In The Stone”, “September” e “Let’s Groove” - verdadeiros standards do pop de rádio que uniram balanço, lindas harmonias vocais e requinte quase jazzístico. Mas as loas vão mesmo é para Philip Bailey, que escandalizou a platéia com sua extensão vocal na balada “After The Love” – quem nunca viu ao vivo um deus do soul como Marvin Gaye (meu caso) pôde até se sentir redimido. Assim, diante de tanta competência – e de todos os hits – dá até para dizer: eis um show que valeu cada um dos reais que eu não paguei.

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