
O clima é de antecipação da folia momesca, bem sei, mas ultimamente quem anda sacudindo minha roseira passa longe, bem longe do samba. Na boa: depois de tantos comebacks roqueiros cheios de promessas, a perspectiva de ouvir algo dos irmãos Cavalera não era o que se pode chamar de excitante. Max fez uns discos malucos e irregulares com o Soulfly, Iggor dobrou seu G e passou a dividir suas atenções entre a bateria e os toca-discos… Sei lá, sinceramente não havia muito o que esperar do Cavalera Conspiracy, o projeto que no ano passado reconciliou os irmãos. É bom lembrar que eles não se bicavam desde 1997, quando Max deixou o Sepultura, a banda que os dois fundaram na tenra e mórbida adolescência. Enfim, a verdade é que fiz pouco caso da novidade.
Essa semana, no myspace da banda e no da gravadora Roadrunner, pintaram mp3s das músicas “Infikted” e “Sanctuary” – tira-gostos do disco que sai em março. Lá fomos nós baixar os arquivos – fazer o que, né? De cara, veio a lembrança do punch que o Sepultura tinha lá por volta de 1990, 1991 – algo que realmente fazia diferença na vida de quem era bombardeado por Poison e Bon Jovi na MTV. O Cavalera Conspiracy é como se os irmãos tivessem retomado a linha interrompida no disco Arise (1991) – “Sanctuary”, aliás, tem até um quê de “Inner Self”.
Isso faz sentido para você, caro leitor? Bom, se você é como eu, um velho que quase se borrou em 1989 quando a Rádio Fluminense tocou a versão ainda não masterizada do disco Beneath The Remains na Rádio Fluminense, talvez faça. Baixar as duas faixas do CC com uma internet claudicante me fez reviver um pouco da dificuldade que era chegar aos objetos de desejo do rock – e por eles ser recompensado. Enfim, cada um com o seu dinossauro do rock que merece…
2 Comments
Essa coisa do Igor ter dois ponto G me incomoda. Mas se o Cavalera Conspiracy servir pra incomodar a mala da minha vizinha de cima, ah, aí eu estarei de volta à adolescência, época em que todos os meus cabelos eram pretos e compridos. Especialmente os da mão.
Eu me lembro bem desse dia em 1989 na Fluminense gravei as faixas Beneath The Remains (O Max apelidava a música de Bife com Pimenta) e Primitive Future.
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