Não sou o Nei Lopes. Não sou a Leci Brandão. Não estudei o samba, nem quero. Não sou intelectual da zona sul que compete pra ver quem conhece mais favela só pra tirar onda de popular e amante do que dizem ser o mais brasileiro dos ritmos. Mas gosto muito de samba e adoro carnaval. Da perspectiva do folião. E me amarro na Imperatriz Leopoldinense, como não é segredo pra ninguém.
Ontem dei um pulo em Ramos só pra ver a escola na rua. Lembrei dos muitos anos de vida ouvindo os ensaios de dentro de casa. Das segundas-feiras de férias no colégio indo ao ensaio de bateria, a quadra vazia, só os ritmistas. Fazia anos que não via o ensaio de rua. Eles desceram pela rua 4 com a bateria, carro de som e algumas alas treinando pra fazer bonito no vamovê. Mas enquanto eles se concentram pra fazer o carnaval da TV, fazem um carnaval de verdade. Gente pra caceta na calçada, Skoll gelada a dois merréis (Ramos, eu te amo!) e o samba comeu solto. Muito mais maneiro que a Sapucaí. Uma vez alguém reclamou de uma apuração de Quarta de Cinzas e Otávio Leite, o sábio grisalho, foi certeiro: “Ou é sério, ou é carnaval”.

Pois é. Não faz diferença. Ali em Ramos, nas quintas à noite, a Imperatriz é mais Imperatriz. É cercada por gente de lá, que cresceu nas redondezas, que vai aos ensaios, que conhece a quadra, que gosta de beber e pular carnaval. Na Euclides Faria, descendo sem chance de perder ponto em caso de demora, o Carnaval é mais divertido. Tem mais farra. E é disso que se faz a festa da carne, né não? Por essas e outras que me divirto com o Bunda Rachada, bloco fundado por ritmistas da escola que sai por Ramos no domingo anterior ao Carnaval. Batuque, cerveja e mulata sambando. E vamo que vamo.
Na hora do desfile são outros 500. É um teatro. Que vai ficar mais foda esta ano, lógico, com a volta da Luiza Brunet. Aliás, no passado ouvi que ela, enquanto era a rainha da escola, bancava a fantasia da bateria. Não sei se é verdade, mas parece que sim. Então tem Luiza Brunet, um samba muito legal e verde e branco na Avenida. Num desfile que eu nem devo ver, porque provavelmente já estarei bêbado. O que me interessava, vi ontem. Vi a escola voltar a ser o Recreio de Ramos, bloco de onde surgiu. Aquele carnaval sim que é maneiro. Mas se a gente ganhar o outro, o da TV, tá bonito também. Corro pra quadra e o resto é aquilo. Mais cerveja, mais batuque. Ah, o que a gente não faz pela Imperatriz, né não?
Vem brincar nesse trem, amor
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