Skip to content
24h-payday

Raios Triplos! crítica poética: Strokes

Aqui na firma todo mundo só pensa mesmo é em se dar bem. Porque a vida tá pela hora da morte no Rio de Janeiro. E você percebe que as coisas saíram de controle quando vê no jornal anúncio de um apartamento em São Cristóvão à venda por R$ 1 milhão (e nem tinha vista pra Quinta). A Marquesa de Santos que me perdoe, mas São Cristóvão inteiro não deve valer um milhão de real. É por isso que, no intuito de reforçar o orçamento e aumentar as chances de sermos contemplados com a aprovação de um projeto milionário na Lei Rouanet, aprofundamos nossa nova seção de crítica. Se a Maria Bethânia vai poder captar R$ 1,356 milhão só para ler poesia pura, vamos entrar numa grana firme com nosso novo projeto: crítica de música em versos. E para começar, um disco que tem dado muito o que falar (ouvir, não, vai por mim): Angles, do Os The Strokes, lá de Nova York. E se você, velho bastião da MPB, quiser cair dentro com a gente nessa, é só chegar. Vamo bombar!!!

CRÍTICA POÉTICA: The STROKES “ANGLES”

Fui ouvir o disco dos Strokes

Para fazer a minha parte

Porque meu negócio é rock

Não sou crítico de arte

O disco se chama Angles

Como comprova o encarte

As músicas são mais ou menos

O disco, terrível desastre

Uma se chama Machu Picchu

Outra, Life is simple in the moonlight

Mas nenhuma chega nem perto

Dos velhos dias de Last Nite

Sei que mulheres são de Vênus

E os homens são de Marte

Mas em Nova York estão dizendo

Que esse disco é uma merda

Merda em inglês é shit

E Strokes é derrame, não enfarte

Deve ter sido por isso

Que quase que tive um ataque

(Auditivo)

Quando ouvi Gratisfaction

Games e You’re so right

Lembrei que merda é shit

E, desconsolado, me questionei:

Oh meu Deus, Is this it?

Raios Triplos! critica: The Strokes

Amiga dona de casa, nós, do Raios Triplos!, voltamos dispostos a investir em novas possibilidades e uma delas passa pela crítica. Nosso projeto, avisamos, é fortalecer a marca Raios Triplos! para depois apresentar um projeto na Lei Rouanet e assim captar, junto à iniciativa privada, o suficiente para cada um de nós, editores de Raios Triplos!, realizarmos o sonho da casa própria.

Então, como eu dizia, achamos que a crítica é o caminho. Sabemos que o país está cheio de críticos, mas não tem problema. No fim deste ano está previsto o primeiro prêmio Raios Triplos! de melhores do ano. Todo mundo faz isso. Ouvi dizer que existe algo semelhante lá em São Paulo. Confesso que fico intrigado toda vez que ouço falar da Associação Paulista de Críticos de Arte. Nunca me passou pela cabeça que críticos de arte se associassem para qualquer atividade. E esse prêmio? Eu achava, juro, que já existia essa premiação há muitos anos. Lembro com saudoso afeto todas as edições do Troféu Imprensa a que assisti apresentadas pelo Silvio Santos. Não eram eles os críticos paulistas de arte? Leão Lobo, Décio Pitinini, Nelson Rubens? Não? Quem são, então? Mistério.

Desculpem, às vezes me perco nos meus pensamentos. Mamãe diz que fui diagnosticado com DDA. Acontece. Sei que vim aqui para mostrar que nós, de Raios Triplos! também podemos ser críticos de arte. Afirmo e reitero. Para tanto, criticaremos o novo álbum do conjunto musical norte-americano os The Strokes.

Os The Strokes chamaram atenção do mundo no começo deste século. Dizia-se deles que eram a salvação o rock. De minha parte, digo logo que implico com quem quer que queira salvar alguma coisa, especialmente bandas que querem salvar o mundo. Que dirá o rock! Mas como crítico de arte, dei a eles o benefício da dúvida e gostei do que ouvi. Gostei também dos dois discos seguintes.

Agora eles estão de volta. O LP se chama Angles. Li em recentes entrevistas que desta vez eles mudaram o modus operandi. Antigamente, o cantor Julian Casablancas chegava com as músicas já na mão e o resto da rapaziada completava os arranjos. Agora eles preferiram dar mais espaço aos outros membros e Casablancas só entrou mais pro final, colocando letra e melodia. Isto posto, aqui está a crítica propriamente dita: no quinto disco, é melhor parar de viadagem. Se nos três primeiros o cara já chegava com tudo na mão e os outros só floreavam, há de existir uma razão. E ela é: ele é melhor que os outros. Se vocês querem dar vazão às suas veias artísticas, façam isso em outro canto. Porque este disco é bem chato.

É isto, minha gente. Podemos dizer que, salvo 2011 seja um desastre completo - e com a escalação do Rock in Rio as chances são grandes -, os The Strokes estão fora do páreo pelo prêmio Raios Triplos! de melhor banda de 2011.

Cotação: dois disquinhos da Pitty para vender no sebo.

Raios Triplos! está de volta. De novo

Amiga dona de casa, estamos de volta. Ninguém sabe por quanto tempo ainda, já que nossa redação, por motivo de contenção de despesas, mudou no fim do ano passado para Trípoli. Achamos que seria agradável viver perto do Mediterrâneo e realmente. Além do fato de o goró ser proibido por aqui, o que fazia com os profissionais da casa se concentrassem no trabalho.

As estagiárias da repartição aproveitam o fim da hora do almoço na varanda

O problema é que as pessoas aqui não se entendem muito bem e vivem brigando entre si. Quem tá dentro não sai, quem tá fora não entra. Estamos meio fartos. Mas se tudo correr bem, em breve conseguiremos atravessar de balsa até a Sicília, na Itália. Lá, tudo será melhor. Poderemos voltar a beber e reza a lenda que é possível até fornicar com menores de idade sem que isso dê cadeia.

Bom, fato é que assim como a inflação, Raos Triplos! está de volta à vida do brasileiro. Desgraça nunca vem sozinha, né mesmo, menina?

Dança das estrelas

E já que viemos trabalhar hoje, um momento Fred Astaire.

Um passo novo pra geral rabiscar o salão na próxima festinha de família.

Quando o carteiro chegou

Dia desses, o carteiro se espantou quando passou pela repartição. Viu algo ao qual não estava acostumado. Ao lado das contas que costuma trazer com desagradável frequência - água, luz, gás, papagaio de agiota - havia uma carta simples, daquelas que as pessoas postam numa agência do ECT.

Intrigados, abrimos a missiva. Lá dizia:

“Boca do Mato, 19 de julho de 2010

Todos os dias, uma de minhas primeiras ações é ligar o laptop. Pipocam quase ao mesmo tempo: MSN, gmail,facebook, e… Raios Triplos. Estive pensando, isso deve me dar algum tipo de poder… nem que seja o de reclamar. Logo eu, que jamais acompanhei nenhum blog, tendo até severa desconfiança destes que se investem da duvidosa alcunha de “blogueiros”. Logo eu, que me orgulho de não ter rotina, surpreendi-me nesta, tão singela: msn, gmail, facebook, Raios Triplos.

Isto, definitivamente me dá algum tipo de poder.

É extremamente frustrante finalmente dispor-se a ouvir o que alguém tem a dizer. Escolher os senhores como interlocutores – vejam bem, eu nunca pedi, a premissa de seu blog é que promete (ou ameaça) que iam dizer assim mesmo! Ora raios, por que é então que não dizem?

Senhores, um pouco de respeito com o consumidor!

Claro está que eu já não posso viver assim! Nessa ânsia por posts não postados, opiniões não emitidas… nada com o que discordar.

Para não falar no dano moral que me impingem os senhores: fiz alarde de suas abobrinhas! Contei pra todo mundo que tinha uns caras, falando uns lances… e já não foram poucos os que me confrontaram, meigamente:

Ué, e os cara?

Pois é, gente boa: Cadê os cara?

Um pouco de disciplina, por favor.

Meu sábio xamã, De Cócoras Com Peitos, pacifista, adepto do nudismo e das máquinas caça-níqueis, me ensinou, entre um e outro gole de ayahuasca: - zifia, nunca saque uma arma se não pretende atirar! De Cócoras com Peitos perdeu todo o respeito pelos senhores, amigos, que prometeram dizer, e calaram.

Mas que fique aqui meu manifesto, meu protesto.

Além de ser privada de parte já importante de minha rotina inexistente, ainda fiquei mal na fita.

Isso é que dá, cê querer freqüentar…

Flávia Gomes - Uma Leitora indignada”

Com os olhos marejados, queremos aproveitar para responder.

Cara Flávia,

Obrigado pelas palavras de carinho. Perceba, a vida moderna impõe a nós, jovens adultos, uma série de compromissos a serem cumpridos. Vez por outra temos que sacrificar algo. E para manter nossa estafante rotina de orgias, bebedeiras, jogatina e peladas, tivemos que sacrificar o trabalho.

Mas há uma ressalva a ser feita. Você mora num lugar chamado Boca do Mato. Cá pra nós, quem mora num lugar chamado Boca do Mato - seja lá onde isso for - não pode se queixar de muita coisa, né?

Porque morar num lugar chamado Boca do Mato por si só deve ser terrível. Então, o hiato de Raios Triplos! há de ser o menor dos seus problemas.

Mas não esmoreça, Flávia. De qualquer forma, agradecemos o carinho. E mandamos, comovidos, um beijo no seu coração.

google